Por Sandra Vasconcelos*

Só aos 40 anos, eu pude realizar um dos meus sonhos da adolescência e ver de perto O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli. E, por mais que eu tente, não consigo entender o porquê desta minha fixação pela deusa. As vezes penso que a imagem está associada a uma propaganda de sabonete que eu via na tv quando era menina: uma mulher flanando, cabelos ao vento, ao https://www.acheterviagrafr24.com/acheter-viagra-sans-ordonnance/ som de Vivaldi. Alguém sabe do que estou falando ou isso é apenas um devaneio?

Confesso que desde o lançamento de As Fantásticas Aventuras do Barão (de Munchausen), em 1988, eu assisti ao filme umas cinco vezes só por causa da cena em que Uma Thurman surge majestosa e nua de uma concha. Eu tive acheter viagra pfizer tarif também por anos a releitura da Vênus do Andy Wharol na parede da sala.

Em "As Aventuras do Barão de Muchausen", Uma Thurman surge majestosa e nua de uma concha | Foto: Reprodução

Em “As Fantásticas Aventuras do Barão”, Uma Thurman surge majestosa e nua de uma concha | Foto: Reprodução

Dos amigos que fomentavam esta minha adoração, eu ganhei vários presentes. Eu praticamente implorava para que, em suas viagens à Europa, eles a visitassem por mim. Acho que os souvenirs funcionavam como prova de que teriam realmente realizado a tarefa… e assim me faziam feliz.

Galleria Degli Uffizi, em Florence |Foto: Wikipedia/CC

Galleria Degli Uffizi, em Firenze, onde “O nascimento de Vênus” fica em exposição |Foto: Wikipedia/CC

Quando entrei na Galleria degli Uffizzi, em 2006, minhas pernas tremeram. Também, né, eu estava em Firenze, na Itália, em um palácio construído em 1675 para ser escritório (uffizzi) dos magistrados da Renascença e que se tornou um dos museus mais antigos do mundo. E estava prestes a ver uma pintura de 1485! É um impacto forte mensurar o tamanho da nossa insignificância diante de tudo isso. Estamos realmente aqui só de passagem…

A Galleria degli Uffizzi tem cerca de 50 salas dedicadas aos maiores artistas do Renascimento e do mundo, como Leonardo da Vinci e Michelangelo. São três andares. Em um deles está Davi, perfeito, maravilhoso, deslumbrante (sim, chorei de soluçar ao vê-lo). Em outro, dá para aproveitar uma janela e ver a Ponte Vecchio de um novo ângulo. Logo eu descobriria que ela sobreviveu à II Guerra apenas e tão somente porque Hitler ficou encantado com aquela obra. Ele até mandou fazer algumas aberturas nas paredes só pra ficar pra lá e pra cá admirando o rio Arno. Sim, Firenze emociona até mesmo os homens maus.

Sandra Vasconcelos com a Ponte Vecchio ao fundo | Foto: Arquivo pessoal

Sandra Vasconcelos com a Ponte Vecchio ao fundo, que só não foi destruída por Hitler devido à sua beleza | Foto: Arquivo pessoal

Vista noturna da Ponte Vecchio | Foto: Wikipedia/CC

Vista noturna da Ponte Vecchio | Foto: Wikipedia/CC

Na sala Botticceli eu encaro a deusa que surge do mar sendo soprada por Zéfiro e recebe um manto florido de uma ninfa, etc e tals. Percebo que a minha bela Vênus é cheia de defeitos se comparada às outras obras do museu. Nas obras clássicas, os artistas ainda estavam orientados para a arte como expressão de um ideal de beleza, com proporções ideais. A minha Vênus é linda, mas tem o pescoço estranho, o ombro caído e o braço um pouco grande acheter viagra demais. E a natureza (também valorizada no Renascimento) está em festa para recebê-la assim, imperfeita.

Para os especialistas, O Nascimento de Vênus foi uma pintura revolucionária. Naquela época, foi novidade uma obra de tamanho grande sem tema de cunho religioso. Porque, gente, o Renascimento é isso aí: quando o ser humano passa a ser o grande foco das preocupações da vida. Foi quando o centro de tudo se deslocou do Divino para o Humano (Humanismo, quem lembra da aula de História?). No entanto, nesta pintura, a mesma “Vênus pagã”, que exalta a beleza e a pureza, também é a “Virgem rainha dos céus” representando a alma cristã a emergir das águas do batismo.

É como se Botticelli narrasse o seu próprio momento de transição e precisasse revelar de forma delicada e sutil a sua mudança de visão do mundo. Como pintor, estava acostumado a fazer obras de temática religiosa… e o Renascimento contraria isso, mas trouxe pra ele a oportunidade de reforçar seu próprio estilo. Nossa, como deve ter sido difícil pra ele absorver tudo isso, não? E o receio de ficar sem trabalho? (Sempre me vem à cabeça a difícil vida do artista dentro do mercado da arte…)

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli

Solidária, diante do meu olhar embasbacado e marejado, a Vênus apenas repetia: “o que importa é que você veio me ver, meu amor!”

Depois de vários minutos ali, caminho alguns passos pra conhecer Primavera, uma obra ainda mais emocionante e bela do que O Nascimento de Vênus, que eu tanto sonhava em ver. No museu é assim: uma obra fisga você e logo uma maratona de descobertas está por vir. Quando uma obra te emociona de alguma forma, você recebe um impulso para se dedicar às outras com muito mais curiosidade. Eu não sabia muitas coisas sobre a Vênus de Botticeli e aprendi tudo isso apenas naquela visita. Espero que um dia eu tenha chance de voltar e rever a minha Vênus.

Primavera, também feita por Botticceli

Primavera, também feita por Botticceli

Serviço

Dica: Para evitar as filas imensas e entrar direto, compre o ingresso pela internet, com antecedência. No verão, compre com no mínimo um mês de antecedência e reserve ao menos 2 horas para visitar o museu.

* Sandra Vasconcelos é assessora de Comunicação e Marketing e uma apaixonada por arte

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