Está pensando em passar uma temporada em Londres? Então, em vez de falar sobre uma das cidades mais fantásticas da Europa, com seus passeios divertidos e baladas da moda, indico três livros não óbvios que mostram um outro ponto de vista da cidade e do espírito inglês. Aliás, mesmo que não queira ir até lá, tenho certeza que vai aprender e, principalmente, se divertir muito com essas leituras.

O Buda do subúrbio, de Hanif Kureish

Antes de viver em Londres (estive por lá de 2005 a 2009), eu imaginava uma Inglaterra beirando a totalidade branca. Ingenuidade minha. Tem gente do mundo inteiro naquele lugar. Muita gente mesmo. Mas ao mesmo tempo em que eu vejo isso como algo culturalmente enriquecedor, o personagem Karin, um jovem anglo-indiano – filho de pai indiano e de mãe inglesa -, vê essa diversidade como o fim do mundo. É que diversidade, no caso, não significa boa aceitação entre os diferentes. Ele sofre com essa miscigenação e o preconceito dos brancos por causa de sua pele escura. E assim segue o caminho de sua adolescência para o mundo adulto. No decorrer de sua tragicomédia, Cream, como é conhecido pelos amigos, apresenta ao leitor alguns personagens típicos dessa cidade, como os jovens aspirantes a roqueiros, intelectuais, artistas e a turma alternativa em busca de iluminação, guiados por seu pai. Mas afinal, o que não é alternativo em Londres

Obs. Na foto acima, está o Buddha-bar, que nada tem a ver com o livro, mas que de alguma forma demonstra o espírito multicultural de Londres encontrado em O buda do subúrbio

O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon

Inglês aprende a ser sarcástico desde criancinha. É o jeito que a língua funciona, que os pais educam e que os livros (ficcionais) ensinam, como esse aí de cima. Em O curioso caso do cachorro morto, um jovem autista de 15 anos tenta descobrir quem foi que matou o cachorro da sua vizinha. Assim, ele investiga todos os suspeitos daquela pacata cidade do interior da Inglaterra. Na medida em que prossegue em sua empreitada, descobre coisas assustadoras para seu compreendimento e decide fugir. Vai parar em Londres, onde sua cabecinha atormentada vai se abrindo para a vida. O garoto também é um ótimo guia turístico, incluindo em sua descrição vários símbolos da cidade, como o do metrô, do trem e alguns mapas.

The astrological diary of God (acho que ainda não foi traduzido para o português), de Bo Fowler

Este é um dos livros mais engraçados que você vai ler em toda a sua vida. É o bom e velho humor inglês literalmente tirando um sarro de deus. É isso mesmo. A história tem como personagem central o próprio. Trata-se de um kamikaze que, depois de falhar em diversas missões suicidas, descobre que é deus. Como tal, baseia sua vida e a de seus seguidores em um livro-guia astrológico. Sugere até animal de estimação de acordo com o signo de cada um (eu ia me dar muito mal. Sou escorpião). Enquanto isso, seus advogados tentam livrá-lo de uma acusação grave: a destruição do universo.

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