Quando postei em minha página pessoal do Facebook que “não estava em meus planos morrer de calor na Europa”, disseram que eu era um exagerado. Erro grosseiro! O atestado de calor infernal não foi emitido apenas por mim, mas também pela ciência. Como mostram os institutos de meteorologia, a onda de calor sofrida por boa parte da Europa nas últimas semanas foi a mais severa de todos os tempos.

Muitos lugares da Alemanha, da Polônia e da República Tcheca (onde fica o QG do Zoropeando) registraram recordes de temperaturas. Na Bielorrússia, Itália e Lituânia também aconteceu o mesmo. Nunca antes na história desses países os ponteiros dos termômetros estiveram tão altos.

Mas o calor vem ocorrendo na Europa desde o mês passado, quando Espanha, Itália, Suíça e Áustria registraram o mês de julho mais quente da história, segundo a Whether Underground.

Onda de calor ameaça as plantações de lúpulo, um dos principais ingredientes da cerveja | Foto: Visitor7/Creative Commons

Onda de calor ameaça as plantações de lúpulo, um dos principais ingredientes da cerveja | Foto: Visitor7/Creative Commons

Felizmente este ano não tivemos aquele tanto de mortes como no verão de 2003, quando cerca de 30 mil pessoas (14 mil somente na França) morreram em consequência da onda de calor. Por enquanto, as notícias que temos são somente de pessoas usando pouca (as vezes pouquíssima) roupa e se refrescando em qualquer pocinha de água que encontram pela frente.

O calor também fez com que o consumo de cerveja aumentasse no continente. Inclusive em algumas cidades há o risco do produto acabar. Mas o pior é o impacto nas plantações de lúpulo, um dos principais ingredientes da loura. As temperaturas altas podem prejudicar a qualidade e o tamanho da planta, impactando diretamente na produção de cerveja.

Ano-chave para o clima mundial

Já não é novidade para ninguém que o mundo passa por um momento de aquecimento, muito provavelmente causado pelas atividades industriais. Queima-se muito combustível fóssil, como carvão e petróleo, para produzir energia e bens de consumo.

Para reverter – ou ao menos estabilizar – a situação, os governantes mundiais precisam de um acordo climático robusto, que diminua as emissões de CO2, o principal gás causador do efeito estufa.

Infelizmente, divergências entre países ricos e em desenvolvimento atrapalham o estabelecimento de um plano de ação realmente eficaz. Enquanto os ricos querem que as responsabilidades sejam divididas igualmente entre todos os países do mundo, as nações em desenvolvimento exigem que os mais industrializados paguem a conta, já que tem uma dívida ambiental histórica para com o planeta.

A demanda faz sentido. Nada mais justo que uma conta maior para quem sujou mais por mais tempo. Porém, não podemos ignorar o papel de novas potências, como a China e o Brasil, na emissão de CO2.

Iremos assistir aos próximos capítulos dessa novela no fim do ano, quando a 21a edição da Conferência das Partes (COP21) será realizada em Paris, na França. Na ocasião, líderes mundiais tentarão, mais uma vez, chegar a um acordo climático que seja realmente relevante para o futuro da humanidade.

Estamos de olho e torcendo para que, finalmente, o bom senso saia vitorioso diante dos interesses políticos de cada um.

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