Um dos principais trabalhos de qualquer jornalista, além de escrever sobre uma determinada pauta, é justamente pesquisar e definir quais serão essas pautas. No ZOROPEANDO não é diferente. A gente se diverte ao descobrir assuntos que podem render reportagens interessantes, posts engraçadinhos ou uma simples dica que pode ajudar a vida do nosso leitor.

Por que estou falando isso? É que foi em uma dessas pesquisas que descobri o livro Portas abertas – três meses na Europa sem um centavo no bolso, de Aline Campbell. Trata-se de um e-book publicado pela própria autora, uma jovem mulher que, no auge dos seus vinte e poucos anos, vai relatando seus três meses de aventuras pelas terras do velho mundo. Ela fala de lugares maravilhosos, amizades eternas, aventuras amorosas, traições e momentos constrangedores, como aquele em que um motorista que lhe dava carona começou a se masturbar enquanto dirigia. Tenso!

Aline Campbell mostra um de seus belos trabalhos artistísticos. Ao lado, a capa do livro "Portas abertas", em que conta suas aventuras pelo velho continente | Foto: Arquivo pessoal

Aline Campbell mostra um de seus belos trabalhos artistísticos. Ao lado, a capa do livro “Portas abertas”, em que conta suas aventuras pelo velho continente | Foto: Arquivo pessoal

Daí você, caríssimo leitor, lê essa breve descrição e logo pensa que se trata de um livro supimpa. Claro, afinal os ingredientes para uma baita de uma história sobre estrada estão ali. Quando dei início à minha leitura, pensei que tinha em mãos uma versão tupiniquim de fazer frente ao On the road (Na estrada), de Jack Kerouac, ou Into the wild (Na natureza selvagem), de Jon Krakauer – ambos magnificamente adaptados para o cinema. Mas ao invés de mergulhar na viagem junto com Aline, senti vontade de terminar logo aquele relato meio sem graça e até bobinho. Mesmo com a faca, o queijo e a goiabada na mão, a moça não entrega um romeu-e-julieta à altura. Mas é preciso elogiar o design da edição. Esse sim ficou bem feito.

Mesmo assim, chama a atenção em “Portas abertas” o fato de Aline resolver passear três meses pela Europa sem um tostão furado no bolso, confiando apenas na bondade das pessoas e na força do universo, seja lá o que se entenda por isso. Ela também fala muito dos seus princípios, que não ficam tão claros no decorrer do livro. Mas dá para supor que ela se inspira muito nas palavras de Heidemarie Schwermer, protagonista do documentário Living without money (Vivendo sem dinheiro, em tradução livre) e com quem a autora se encontrou pessoalmente durante o passeio. De acordo com essa senhora, que nasceu no Leste da Prússia durante a Segunda Guerra Mundial, “o dinheiro desvia a atenção do que é importante, das coisas mais puras e do que de fato tem valor”.

Heidemarie Schwermer e Aline Campbell: elas levam a vida sem dinheiro. Será? | Footo: Arquivo pessoal

Heidemarie Schwermer e Aline Campbell: elas levam a vida sem dinheiro. Será? | Footo: Arquivo pessoal

Sim, essa reflexão carrega muita verdade, mas daí a viver sem dinheiro nenhum? Ora bolas, como já diria Sérgio Besserman, o famoso economista irmão do ainda mais famoso comediante Bussunda (1962 – 2006), “não existe almoço grátis”. Enquanto Aline não pagava por nada do que comeu ou bebeu, nem pelas acomodações ou transportes que utilizava, alguém pagava. Então não é que ela não precisou de dinheiro nenhum, como o leitor pode vir a entender. Na verdade, ela precisou de muito. A todo momento as pessoas pagavam por comida e serviços utilizados por ela: as vezes por simpatia, outras vezes por dó. Mas pagavam.

Ok! Também não vamos, de forma nenhuma, condenar a atitude da moça ao viajar pela Europa “sem grana”. A iniciativa em si, como disse, é até legal. Mas é preciso deixar claro que não é porque ela não pagou que tudo saiu de graça. Talvez se a autora não tentasse pregar o auto-engano do que classifica como sendo “seus valores”, a historinha até pudesse ganhar outros ares e, quem sabe, outro título: “Portas e carteiras – como desconhecidos bancaram minha viagem pela Europa”.

Crueldade a parte, uma outra lição muito legal que ficou do livro foi a possibilidade de viajar tranquilamente de carona (será que daria para fazer o mesmo no Brasil?) e conseguir acomodações sem que seja necessário pagar por elas.

Tá bom. Eu me rendo. Também quero viajar de graça por aí! E um bom modo de conseguir isso, muito utilizado por Aline, é por meio da comunidade Counchsurfing (Surfistas de sofá, em tradução livre). Nela, pessoas disponibilizam seus sofás como acomodações aos viajantes sem grana ou que simplesmente estejam interessados em viver uma experiência diferente com moradores locais.

Está vendo? A leitura de “Portas abertas” não foi completamente em vão.

Serviço

Portas abertas – três meses na Europa

Autora: Aline Campbell
Formato: PDF
Páginas: 280
Quanto: Grátis – download aqui

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