A revolução dos bichos, do inglês George Orwell, é um dos meus livros preferidos. Li quando estava no colegial, mais de duas décadas atrás, “a mando” do Raimundão, um dos poucos professores da minha juventude a quem tiro o chapéu.

O Raimundão era o tipo de educador que sabia o que falava e fazia. Pelo menos era essa a impressão que eu tinha dele na maior parte do tempo.

Seu único grave engano foi o de um dia ter me chamado de ignóbil. Aquilo foi rude e injustificável. Talvez ele estivesse reconhecendo em mim a parte não tão nobre de sua alma. Ou apenas estivesse em um dia ruim mesmo, daqueles em que a mulher dorme de calça jeans. Sei lá. Talvez eu é que esteja sendo ignóbil agora ao trazer à tona águas passadas. Dizem que esse é um mal – provavelmente o único rsrs – típico de quem é regido pelo signo de escorpião.

George Orwell

George Orwell, autor de clássicos como “A revolução dos bichos” e “1984”

Bom, mas fora isso, o cara sempre foi muito legal e tinha a capacidade de estimular e até desafiar a cada um dos seus alunos como nenhum outro de seus colegas. E se não fosse por ele, talvez “A revolução dos bichos” nunca tivesse passado por minha vida.

Levanto a bola desse livro (e consequentemente do Raimundão) porque faz exatamente 70 anos que ele foi publicado pela primeira vez. Era agosto de 1945, tempos estranhos para a Europa, que acabava de sair da guerra. A obra foi intencionada para ser uma sátira à Revolução Russa. E, como sabemos, a Rússia, depois da Segunda Grande Guerra, tornou-se uma das principais potências de um mundo dividido entre capitalistas, socialistas e terceiro mundo.

Teria então sido uma provocação capitalista ao país socialista que mais esforço colocou na vitória dos aliados em cima dos nazistas?

Eu não sei, mas Orwell tinha uma explicação para “A revolução dos bichos”. Conforme ele mesmo diz em uma carta enviada ao colega norte-americano Dwight Macdonald, “uma revolução conspiratória, liderada por pessoas inconscientes e sedentas por poder só pode levar a uma simples troca de líderes”.

Para que o efeito revolucionário das massas seja realmente efetivo, o inglês acreditava que a população deveria estar preparada para “defenestrar” seus líderes tão logo eles tenham feito o seu trabalho. Em outras palavras, os porcos deveriam ter virado feijoada antes que começassem a “guardar” as riquezas da fazenda para si próprios.

Olhando para o Brasil de hoje, não vejo um cenário muito diferente desse pintado por Orwell.

Ok, ok! Por enquanto não vivemos uma revolução violenta para depor o dono da fazenda, mas que temos uma capital cheia de porcos sujos e ladrões, isso temos. Quanto a isso, ninguém pode negar, nem mesmo os porcos poderosos ou as ovelhas que servem de massa de manobra, grupo esse que, graças ao Raimundão, não faço parte!

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