Cristiano Simões*

Para muitas pessoas, de diferentes idades, gêneros e grupos sociais, fazer um intercâmbio é um sonho cultivado desde a infância. Conhecer de perto as paisagens e a cultura de um país estrangeiro, viver as experiências de morar por um período no exterior, aprender uma nova língua, tudo isso causa fascínio, e não é por acaso. Realmente, o intercâmbio é uma oportunidade única de crescermos como pessoa. E quanto ao lado profissional? O mercado de trabalho realmente valoriza as pessoas que possuem esse tipo de experiência no currículo ou isso não passa de um mito?

Uma coisa é fato: o intercâmbio é, cada vez mais, uma realidade para o público brasileiro. Mesmo o momento de crise econômica que o país viveu em 2015 não foi suficiente para frear esse nicho de mercado, que cresce cerca de 10% a 15% a cada ano. Segundo dados da Belta – agência que reúne as principais instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbio no exterior -, nos últimos dez anos o mercado de educação internacional e de intercâmbio no Brasil cresceu 600%. Em 2003, o número de brasileiros que realizaram algum curso no Exterior não passou de 34 mil e, dez anos depois, chegou a 202 mil. Em 2014, esse número saltou para aproximadamente 240 mil estudantes brasileiros fazendo cursos fora do país.

Esses dados são sintomáticos. Mesmo em um momento de “apertar os cintos” e de conter gastos, os brasileiros enxergam o intercâmbio como um investimento na carreira e uma oportunidade de melhorar de vida e de se diferenciar. Além dos motivos óbvios, como o aprendizado de uma língua estrangeira e da vivência com outras culturas, esse período de estudo – e muitas vezes trabalho, porque não? – no exterior realmente nos faz voltar diferentes e mais preparados para enfrentar o duro mercado de trabalho.

Outros números da Belta reforçam essa tendência de crescimento do mercado de intercâmbio no Brasil. Em 2010, 33% das agências brasileiras de intercâmbio atuavam com cursos de pós-graduação no exterior. Dois anos depois, esse número aumentou para 47%. Na área de cursos voltados para a especialização, esse crescimento é ainda maior: em 2010, 19% das agências trabalhavam com esse tipo de pacote, e em 2012 esse número passou para 40%. Isso demonstra que a visão que o público brasileiro tem do intercâmbio amadureceu.

Gosto de listar cinco motivos que ilustram a importância do intercâmbio e o quanto ele pode nos fazer diferentes: você experimenta uma cultura diferente, tendo uma visão muito maior de mundo e abrindo sua mente para tudo que é novo; você realmente ganha uma segunda língua, pois um curso feito no Brasil não se compara com a prática do dia a dia em um país estrangeiro; você se torna mais independente, aprendendo a lidar com os problemas de forma mais segura e prática; você cria um amplo networking, com contatos que você levará para o resto da vida; e por último, trata-se de um investimento garantido, pois o que o estudante recebe em troca em uma experiência dessas é muito maior que o valor investido.

* Cristiano Simões é sócio-diretor da S7 Study

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